O Dia Internacional da Mulher é uma comemoração um tanto vergonhosa para nós homens. Não que vocês, mulheres, não mereçam, mas é exatamente pelo contrário. Esse dia nos faz lembrar o quanto ainda nos falta valorizá-las. Vocês que sempre estão presentes em nossas vidas, de mães a companheiras, de irmãs a amigas, merecem muito mais do nosso respeito, carinho e amor. Este texto é dedicado a vocês, que são verdadeiras obras fascinates.
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Meu olhar se perdeu vendo uma garotinha conversar com as flores do jardim na rua de baixo, mas fiz-me presente outra vez ao escutar uma voz suave pedindo licença para se sentar à mesa. Abri um sorriso e disse para que se sentisse à vontade.
A mulher trazia consigo um perfume maravilhoso, mescla do delicioso cheiro de capuccino com páginas novas de um livro ainda não lido.
Enquanto ela folheava a obra e tomava seu café, passei a observá-la. Era como se de repente eu, distraído como sempre, tivesse a sorte de ter ao alcance dos olhos um livro intrigante.
Seu sorriso era dissertado em dois capítulos detalhados com traços carnudos e atraentes. As letras em tipografia clara e larga discorriam sobre mil e um assuntos. Não havia preocupação em discuti-los até o fim, mas a cada detalhe interessante, entrava-se em outro tema. Havia milhares de palavras escritas contando coisas simples e cotidianas, falando sobre tudo, sem pretensões, mas por prazer de falar.
Uma brisa soprou virando as páginas e revelando um longo capítulo dedicado integralmente a seus cabelos. As palavras brilhavam e pareciam soltas na página, movendo-se graciosamente. Não li nada especial, mas fiquei fascinado com a simplicidade de um capítulo inexplicavelmente cativante.
Continuei folheando e encontrei um capítulo de páginas que ficaram expostas ao sol. Não estavam mal cuidadas, pelo contrário, eram suaves como se hidratadas diariamente. Quararam por puro prazer de ter a cor do bronze e exibir o contraste com a cor original. Havia letras marcadas por fases da vida. Cicatrizaram após uma vacina de criança, depois da puberdade e ainda outras, dada sua tipografia nata, tinham pequenas imperfeições, mas estavam maquiadas com uma tinta especial, criada há centenas de anos por uma rainha. Percebi que esse era seu jeito de aproximar a beleza como ela a via de-dentro-para-fora da vista de-fora-para-dentro.
Quis saber mais sobre sua perspectiva de beleza e folhei alguns muitos capítulos sobre o guarda-roupa dos sonhos. Eram letras das mais variadas formas e cortes, para todas as ocasiões e para ocasião nenhuma. Em meio a tantas era difícil de escolher uma. Dependia do tamanho, da cor, da tendência e de tantas outras coisas, mas principalmente do humor do momento e de uma opinião alheia que lhe trouxesse segurança. O assunto parecia não ter fim. Resolvi folhear mais adiante, então.
Li sobre seus olhos. Narrados em cores essencialmente cintilantes, eram dois capítulos com a mesma visão detalhista sobre tudo. Com uma incrível riqueza de palavras, a cada instante surgiam novas frases, períodos, parágrafos… que preenchiam as páginas mais internas do livro. Olhava fixamente, tentando alcançar essas páginas, quando subitamente a vi chorar. Não foi por tristeza como ela mesmo me disse ao perceber que olhava-a tão diretamente, mas também não foi por alegria. Então, percebi que havia muito mais páginas no interior do livro do que imaginara. Por mais que tentasse entender, embora conhecesse todas as palavras, pouco ali fazia sentido para mim. Era uma forma diferente de narrar a realidade, com mais adjetivos, choro, risos, emoção. Justamente por não compreender, senti-me inteiramente fascinado e quis ler mais.
Percebi que estava desconcertada por chorar na frente de um estranho que a olhava tanto. Então pensei em comentar algo. Não sabia o que dizer, nem se deveria falar. Arrisquei: “As flores sempre florescem, mas só após o inverno”.
O comentário ficou um pouco filosófico ou comum demais, não sei ao certo, mas abriu uma brecha pequena em seus olhos e consegui ver mais algumas páginas enquanto ela se preparava para partir, enxugando as lágrimas com um guardanapo e tomando os últimos goles do seu café.
Vi muita força, mesmo em meio a letras delicadas, carinho e equilíbrio (principalmente sobre dois saltos — ela já se levantava da mesa). Havia páginas inteiras escritas por outras pessoas. Talvez páginas alegres, outras nem tanto assim. Algumas ela não quisesse jamais esquecer, outras, quem sabe, não as queria arrancar? Mas não posso afirmar, não me deixou ler. O que posso dizer é que ainda havia muitas páginas em branco…
A brisa soprou novamente e trouxe uma flor desta vez. Ela a apanhou e colocou-a dentro do livro, marcando a leitura. Com a mesma voz suave que pediu licença, despediu-se. Para traz, deixou sobre a mesa uma xícara vazia de capuccino e, em minha mente, a impressão de uma mulher. Enquanto a via se afastando, meu olhar se perdeu novamente. Vi uma senhora plantar mudas de flores na rua de cima que florescerão na próxima primavera.
Bruno Romaneli
08 de Março de 2006
Caracas, Bruno! Adorei o texto. Ele só confirma o que eu sempre soube de vc: Vc é um poço de sensibilidade e romantismo, como poucos. Parabéns! Abração.
TO “IMPRESSIONADA” COM “A Impressão de uma Mulher”, NADA COMO O TEMPO PRA AMADURECER UM TALENTO QUE EM VC INEVITAVELMENTE É NATO. LINDO!!!! TALENTOSO!!! CHEIO DE SENSIBILIDD, AMEI A COMPARAÇÃO E PRINCIPALMENTE O ARRANJO DE DETALHES, ENTAO SO RESTA DIZER : PARABÉNS!! E OBRIGADA! JÁ QUE O TEXTO FOI EM HOMENAGEM AS MULHERES.
Brunaoo.. Lindo o Textoo…!!!
Lindo mesmo… Ameiii!!! Continue sempre assim….
Vc esta de Parabénsss!!!
Como sempre mto Observador e Detalista.
Sempre se aperfeicoando no seu Grande Talento de Escritor!!
Obrigadaaa!!
Bjoosss!!!
Parabéns!!! Sensasional….
q sensibilidade hein menino…. amei!!!
ja deixei um depoimento registrando…
continue nesse caminho q vc vai longe!bjos
É Brunooo….
te dar os parabéns seria o mínimo…..
vc escreve muito…..e ainda, vc parece viver essa sensibilidade, essas palavras que tocam, no seu dia a dia…
Beijos, e, um forte abraço….
=]
Nossaaaa!!
sem palavras……….
realmente vc eh d+!
PARABENS vc tem um lindo dom!!
bjusss!! bruno…
Muito especial… Realmente fiquei espantada como somos um livro tao aberto e tao fechado ao mesmo tempo. E seus olhos veem o que realmente uma mulher e….Inesquecivel como o cheiro de um bom perfume….
Primoo!
Nossa, q lindo tudo isso!!
você é demais!!!
Muito criativo em suas inspirações!
Bjxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
pô , demais oh !!!!!!!!!
Caro Bruno,
Tenho lido seu blog de trás para frente. Acho que não devo prestar-me a mais exclamações de que as tantas leitoras já se utilizaram..hehe. Como acho que tecer tantos elogios pode fazer com que os mesmos percam o valor pela minha boca, resigno-me a dizer: parabéns.
Ainda temos muito a discutir sobre esse texto, me lembrou um prefácio que vi em um livro do Charles Dickens.
Abraços,
Veridiana Gonçalves